Era
início de tarde em Juiz de Fora. Os termômetros no centro
da cidade marcavam 390C, o cheiro de pipoca começava a invadir o ambiente, muitas pessoas perambulavam pelas ruas e na confusão do trânsito nos despedimos da Zona da Mata Mineira.
Nos
últimos dias foram tantas as idas e vindas à Juiz de Fora, que já havia decorado
todo o caminho até BH. Cada curva, reta, subida ou descida estavam
perfeitamente memorizadas.
Chegando
em Belo Horizonte, tomamos o sentido do triângulo, deixando o anel rodoviário e
seguindo pela Av. Amazonas em direção à Contagem. O trânsito estava razoável e em
pouco tempo atingimos a BR 262 deixando para traz Betim, Juatuba, Florestal,
Pará de Minas, Nova Serrana, Bom Despacho e Luz.
Passada
a cidade de Nova Serrana, a rodovia segue sem duplicação e o intenso trânsito
de carretas provocam enormes filas, nestas horas o estres vai ao último grau e
o jeito é ouvir um CREEDANCE (SUSIE Q) até que chegue o momento da "travessia" da
serra de Luz (Serra da Saudade), onde a paisagem alivia a tensão. O lugar é de
uma beleza sem fim, a estrada foi abrindo passagem pelas “cristas” das
montanhas até atingir um platô de onde se avistam os intermináveis “Mares de
Morro” característicos de nossa Minas Gerais.
Adiante
à direita, antes da cidade de Campos Altos (o melhor café do cerrado), deixamos a BR 262 e tomamos o sentido
de Patos de Minas pela rodovia BR 354. Nesta região, as intermináveis lavouras, nos “guiam” em ambos os
lados da estrada até o trevo de acesso à São Gotardo, onde chegamos no início
da noite.
A
primeira impressão foi positiva. Cidade limpa e muitos carros pelas ruas. O
hotel (Pousada Por do Sol) é novinho, a cama é ótima e o cheiro das portas de Angelim,
por pouco me fez acreditar que estava com chulé!
A
igreja Matriz de São Sebastião fica no final da principal avenida da cidade e
toda terça-feira acontece o Terço dos homens. O evento reúne mais de novecentos
fiéis (só homens) e muitos ficam do lado de fora da igreja, tomada pela
multidão de homens. Quem disse que homem não é fiel?!
A
cidade de São Gotardo (Capital Nacional da Cenoura) possui cerca de 30 mil
habitantes e acho que mais da metade são Japoneses, a outra parte é mestiço.
Tem até “negão” de olho puxado! E é comum nomes “made in Nipon” como
José Thoshyro, Raimundo Yamagushy, Antônio Kysuco e Manoel Kawazak.
Me chamou a atenção a quantidade de alambiques no
entorno da cidade. Seguindo por uma estrada de terra na zona rural, pude contar
em seis quilômetros 18 alambiques, todos “flex”; produzem tanto cachaça quanto
rapadura. Lembrei-me de uns companheiros que iam gostar demais! Adoram
rapadura!
Saindo
de São Gotardo sentido à Rio Paranaíba, avistamos às margens da rodovia uma
imensa plantação de milho. Nesta região o aroma da flor do milho invade a
estrada e vem aquela vontade de comer um milho cozido!
A região é realmente de “encher os olhos!” É o Brasil que
funciona!













