Mais
uma vez saímos em viagem por este rico e diverso estado de Minas Gerais. Pela
manhã, os noticiários davam conta de um enorme engarrafamento na BR 040 e um incêndio em um prédio no centro de Juiz de Fora. Próximo
à entrada do condomínio Ipê Amarelo o trânsito havia parado; então me recordei
de um caminho que por diversas vezes havia feito na companhia dos amigos Rone,
Wellington e nossas “Bicicletas Voadoras” (coisa de uns vinte e tantos anos).
Entrei sentido à região denominada Tijuco e coloquei a memória para funcionar.
“Costurei” por umas estradas de terra e as recordações foram surgindo, as
aventuras sem responsabilidade e a liberdade da juventude; época maravilhosa de
minha vida, onde “compromisso era a hora do almoço”. Refiz o caminho desviei do engarrafamento e retornei para a BR 040.
Ao
chegar à Belo Horizonte atravessamos
do anel rodoviário e em pouco tempo estávamos
na região da “MUTUCA” na saída para o Rio de Janeiro.
Adiante,
após o trevo de Ouro Preto, avistamos a esquerda o “Pico do Itabirito” meio
encoberto pelas nuvens e à direita a imponente “Serra da Moeda” margeando
a estrada.
Logo
a frente surgia, à direita, a histórica Congonhas. Da rodovia avistamos, ao
alto, parte do “Santuário do Bom Jesus de Matosinhos” um dos maiores monumentos
de arte Barroca do Brasil, construído pelo seu principal representante: “Aleijadinho”.
Almoçamos
na cidade de Carandaí no restaurante “O GAUCHÃO”. O lugar vende uma diversidade
de produtos artesanais (de panela de pedra a salgadinhos de banana verde), a
comida é muito boa, o ambiente agradável e ainda vendem carne de animais
exóticos. "Comida no papo, voa sapo" já dizia o ditado!
Em
frente nos surge à esquerda a cidade de Santos Dumont, que recebe o nome de
seu filho mais ilustre, o “Pai da Aviação Brasileira”. Este
trecho da estrada é bastante perigoso devido às quatro pontes em curva que
transpõe abismos para dar passagem à rodovia. Pouco adiante, no pátio de um
posto de gasolina, uma réplica do “14 Bis” homenageia o grande inventor
brasileiro com o seu maior e mundialmente conhecido feito.
Chegamos
a Juiz de Fora por volta das 13:00 hs, e já na entrada da cidade uma situação
bastante engraçada: dois ciclistas que transitavam na mesma rua, porém em
sentidos opostos, se chocaram em nossa frente. Um deles, ao cair, foi lançado à
frente do carro e por pouco eu não o atropelei. O mais engraçado foi olhar no
retrovisor e perceber que os dois entraram em luta corporal no meio da rua.
Desde
a entrada da cidade até o centro, seguimos margeando o rio ”Paraibuna” com suas
águas calmas e castigadas pela poluição. Passando por Juiz de Fora ele segue
sentido ao Paraíba do Sul onde divisa os estados de Minas Gerais e Rio de
Janeiro. Ao longo do vale do Paraibuna foram abertas estradas que
historicamente marcaram o povoamento e o desenvolvimento do nosso estado e da
Zona da Mata Mineira, como o "Caminho Novo das Minas”, a "Estrada União Indústria” e também a “Estrada de Ferro Central do
Brasil”.
Já
no centro da cidade, foi um suplício encontrar o hotel. Por causa do incêndio,
o trânsito estava um caos e só depois de muito rodar foi que conseguimos
chegar.
O
hotel fica no centro antigo da cidade, na Rua Halfeld, próximo à praça da
estação, do mercado municipal e do museu Bernardo Mascarenhas. Da janela do
quarto vejo alguns telhados, o prédio da prefeitura e o relógio da antiga
estação. A região é repleta de prédios antigos com belas fachadas.
A
Rua Halfeld é muito charmosa, é o centro comercial da cidade. Grande parte dela
possui trânsito somente de pedestres e várias galerias fazem sua ligação com as
ruas paralelas. Na extremidade final da Rua Halfeld fica o “Morro do Cristo”, o ponto mais alto da cidade de onde
se pode avistá-la em quase sua totalidade.
À
tarde, nesta região, os pipoqueiros entram em cena, eles se espalham pela rua e
o aroma de pipoca envolve o ambiente. Aliás, aqui a pipoca é servida com cubos
de queijo Parmesão frito (a combinação é perfeita).
A
avenida principal é a Barão do Rio Branco (é como se fosse a Afonso Pena em BH)
com grandes edifícios e muito movimento de carros e pessoas. Na cidade, muita
gente afirma que esta é a maior avenida em linha reta da América Latina.
Seguindo
sentido à cidade de “Matias Barbosa” pela rodovia União Indústria, às margens do
rio Paraibuna, encontra-se a “Usina de Marmelos”, esta sim,
comprovadamente a primeira usina hidrelétrica da América Latina.
Juiz de Fora é uma cidade muito grande. No centro é como se estivéssemos em Belo Horizonte, a única diferença é o sotaque “marrento” de carioca. Aqui você é “tu”, nós é “nóix” e meu irmão diz-se “mermão”. Aqui não se ouve “uai”, Juizforano que se preze não admite que ser Mineiro!
A mentalidade do Juizforano é tão carioca, que até os táxis da cidade são iguais aos do Rio de Janeiro.
Outro dia escutei a
conversa que vinha da mesa ao lado de onde almoçava um rapaz dizendo assim: -
Lá em Minas...






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