Era fim de tarde quando saímos de Salinas. O sol se despedia calmamente e o calor dava uma trégua. Até Araçuaí era cerca de 120 quilômetros e tratei de acelerar para chegar rápido ao destino. A estrada até Coronel Murta está em ótimo estado (apesar de ser estreita e sem acostamento). No entanto, dali em diante, esburacada, sem sinalização e muito perigosa.
Chegamos à cidade no início da noite. Deixamos as bagagens no hotel e saímos para jantar. No trevo da cidade existe uma enorme escultura de uma arara. Procurei na internet pelo significado de Araçuaí e todas as respostas faziam menção a ave “Arara” (RIO DAS ARARAS GRANDES).
Conta-se que a região era um ponto de permuta de mercadorias entre os canoeiros da Bahia e Minas, e que por conta disso atraíram também várias mulheres de “vida fácil” e muito consumo de bebidas alcoólicas. Um padre que queria criar uma vila no local não permitiu a pratica de prostituição e consumo de bebidas, expulsando dali todas as prostitutas. Estas, por sua vez, receberam o abrigo de uma fazendeira na região. Em função disso os canoeiros mudaram o porto de permuta para a região da fazenda que acolheu as prostitutas e neste local surgiu um vilarejo com o nome de Calhau que, com o crescimento, chamamos hoje de Araçuaí “O polo do Vale”.
Conta-se que a região era um ponto de permuta de mercadorias entre os canoeiros da Bahia e Minas, e que por conta disso atraíram também várias mulheres de “vida fácil” e muito consumo de bebidas alcoólicas. Um padre que queria criar uma vila no local não permitiu a pratica de prostituição e consumo de bebidas, expulsando dali todas as prostitutas. Estas, por sua vez, receberam o abrigo de uma fazendeira na região. Em função disso os canoeiros mudaram o porto de permuta para a região da fazenda que acolheu as prostitutas e neste local surgiu um vilarejo com o nome de Calhau que, com o crescimento, chamamos hoje de Araçuaí “O polo do Vale”.
O centro comercial da cidade encontra-se do lado direito da rodovia e está em um nível bem abaixo desta, de onde pode-se avistar somente os telhados e as torres das igrejas. O clima é mais agradável (pelo menos venta!). O comércio é bem movimentado com muitas lojas e pessoas pelas ruas. Em frente à rodoviária fica o mercado municipal, que durante a semana tem pouco movimento, mas no final de semana o lugar se transforma. O centro antigo é muito bonito, com vários casarões e igrejas bem conservados. A praça em frente ao Banco do Brasil é lindíssima; totalmente restaurada com um chafariz na altura do piso da praça.
Por todos os lugares que vamos, percebemos uma exploração ou certa supervalorização de alguns produtos por serem artesanais e por perceberem que não somos da região. Aqui não acontece isso, os preços são justos e as pessoas (comerciantes) agradáveis, são tão simples que se sentem honrados por saberem que seus produtos vão “viajar” para outra região.
O trecho entre Araçuaí e Itaobim nos deu a verdadeira dimensão do lugar conhecido pelo sofrimento do povo e a aridez do solo. Miséria não encontramos, mas quem não é nativo, sofre bastante aqui. Este é o detalhe, as histórias que sempre ouvimos do vale, talvez fossem descritas por pessoas que se imaginavam no lugar do povo daqui e em cima disso projetavam seus possíveis sofrimentos como se fossem os do povo do vale. Se existe toda a miséria que sempre ouvi falar, ela está bem escondida! Daniel (Porqueira) me disse uma vez, que Itinga era o lugar mais pobre que havia conhecido. Eu não vi isso aqui. A cidade não tem se quer uma rua de terra, Ribeirão das Neves tem pavimentação em menos de 10% de suas ruas.
Mas a região é realmente muito quente e árida. A vegetação, mesmo próxima ao rio, é bem rala, a terra é seca com vários pontos de afloramento de rochas. As pastagens são fracas e foram vários córregos secos (intermitentes) que vimos durante este tempo. Contudo, a paisagem é muito bonita. O fim da tarde na região de Itinga e Taquaral é um espetáculo divino. O sol impõe um tom dourado nos meandros do Jequitinhonha e as sombras das rochas de seu leito manso descrevem paisagens fantásticas.
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