quinta-feira, 23 de junho de 2011

Salinas (A terra da cachaça)

Chegamos a Salinas por volta do meio dia. Um giro na cidade até encontrar o hotel e não pudemos deixar de observar que aqui em todo lugar tem uma loja de representação de cachaça ou um estabelecimento (de farmácia a açougue) com um expositor de diversas marcas da bebida.

Na portaria do hotel (Eldorado) existe um grande expositor com diversas cachaças e uma pequena dorna com a bebida para degustação. Como era hora do almoço, resolvi tomar uma "lapada" para abrir o apetite. Servi uma dose em um copinho de vidro (na CEDAF chamávamos de TCHUPI), fiz a oração: “Pinga de moço rico, pinga de moço pobre. Dizem que quem bebe pinga não junta dinheiro, mas como eu não tenho pra juntar...” e joguei o “mereijo” no peito. Não sei se foi falta de fé na oração ou o quê, mas o certo é que desse momento em diante meu corpo ganhou uma "bambeza", minha garganta começou a doer e o olho a arder. Contraí um vírus de gripe contido no líquido daquela dorna, deve ter sido olho gordo de cachaceiro!

Uma das piores coisas que pode acontecer quando estamos viajando é ficarmos doente (e trabalhando é pior ainda). Tratei de ir à farmácia e me municiar de BENEGRIPE, NALDECON E CORISTINA (se seu fígado não derreter, com um dia a gripe vai pro inferno!). Por falar em remédios, cuidado ao pedir, aqui em Salinas, PINICILINA E DIPIRONA. Explique que você quer remédio, pois aqui são marcas de cachaça também.

O mercado municipal, o de Salinas é fantástico; fica no centro da cidade e é enorme, possui duas entradas e dentro um fervilho de gente vendendo e comprando, almoçando pelos corredores nos balcões à beira das cozinhas. Isso mesmo, diversas cozinheiras preparam comida em boxes e as pessoas almoçam nos balcões nas laterais de cada cozinha em frente ao fogão.


Queria comprar carne de sol, e um vendedor, para demonstrar a qualidade e maciez do produto, enfiava a unha do dedo polegar na manta como quem estivesse vendendo colchão ou travesseiro (pensei: talvez depois da fritura as bactérias morram!). Todo comerciante, após realizar uma venda, diz: Deus lhe pague! Achei muito legal o agradecimento, a demonstração de qualidade meio nojenta (mas a carne depois de pronta, estava uma delícia!).

O comércio de Salinas é bem movimentado e a cidade é muito bonita. O calor aqui é de matar, mal vejo a hora de retornar para casa, tocar meu violão e rever os amigos e parentes. 

Malas prontas, carne de sol, queijo, doce, rapadura, farinha e muita cachaça. No entanto, recebemos o comunicado para irmos à Araçuaí realizar um novo serviço.

Um comentário:

  1. Muito interessante descobrir Minas assim... com relatos agradáveis de ler e perceber como é diferente dos livros que "ensinam"!!! Como seria bom mostrar essa "geografia" para os alunos(ao invés da decoreba das aulas) terem realmente a visão do que é "ser geográfico"!!!!Parabéns!

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