Era o início da manhã quando saímos de Sete Lagoas rumo ao Vale do Jequitinhonha. A temperatura agradável daquele dia já nos dava a pista de como seria a viagem. A primeira parada foi para tomar café em Paraopeba no restaurante Dagmar. Café robusto, pão de queijo com linguiça e suco natural para fortalecer o corpo.
Deixamos a 040. São José da Lagoa, Tapera e Bananal ficaram para trás. Logo veio Curvelo e uma rápida parada para abastecer. Em seguida Inimutaba (não quis provar da água), seguido de Presidente Juscelino e Gouveia. Datas estava a frente e me lembrei do Serro, a terra de minha querida mãe e onde nasce o rio que batizou o vale e a cidade para onde estávamos indo.
Ao subir o espinhaço nos surge Diamantina de tantas histórias. A curiosidade veio e não resistimos; rápida entrada, várias ladeiras, muitos saculeijos, algumas igrejas e a frustração de não ter encontrado o famoso mercado municipal. Saímos e rumamos em frente.
O dia aproximava-se de sua metade e como não sabíamos o que viria pela frente resolvemos parar para almoçar (restaurante fogão a lenha, bela paisagem, artesanatos diversos, cachaça e uma comida deliciosa).
Abastecidos seguimos; agora Andréa na direção e logo veio Couto Magalhães. Crianças na rua em frente à escola e na saída do lado esquerdo a mal falada “Casa da luz vermelha”. São Gonçalo do Rio Preto; acendi um cigarro e curtimos a paisagem ouvindo BEATLES (ALL YOU NEED IS LOVE). Senador Mourão, Carbonita, grandes retas de estrada, plantações de eucalipto e nestas alturas queríamos “atingir” Turmalina, que não demorou a chegar. Serpenteamos a serra avistando-a do outro lado do vale; uma ponte estreita e lá estávamos. Da estrada pela janela do carro, algumas casas e torres de igrejas era a visão que se tinha.
Próximo passo Minas Novas e dali em diante estrada de terra. Tomei a direção novamente após uma breve parada para eu verter água na beira da estrada. Muita poeira, paisagem embaçada, pedras e buracos, quando surge Chapada do Norte. Um homem com uma carga de queijos no lombo do jegue ( isso mesmo, jegue ou jumento, sei lá; carregando duas caixas de couro – bruacas ou canastras - me lembrou filmes antigos - Mazarope), nos informou o rumo de Berilo. Mais poeira, pedras e estrada um pouco pior; encontramos apenas um carro em sentido contrário. Demorou até que algumas casinhas foram aparecendo. Pessoas com a pele curtida pelo sol, olhares profundos e tristes (nos fez lembrar a música “COMO É SOFRIDA A VIDA DO POVO QUE MORA NO VALE”). E a cidade estava em festa, muitas pessoas pelas ruelas e ladeiras estreitas, vendedores de tudo em quanto há (panelas, pilão, gamelas, cintos de couro e chapéu, dentre outras quiçássas).
Mais estrada de terra e Virgem da Lapa “A PRINCESINHA DO VALE” terra do amigo José Márcio, como demorou! Enfim asfalto novamente; parada para abastecer e para que Andréa fosse ao banheiro. Abastecer não foi possível, não havia álcool na cidade. O frentista ainda brincou dizendo “álcool só pra beber!” (A empresa recomenda o abastecimento com etanol).
Seguindo viagem, na saída da cidade, trânsito parado para esperar a passagem de uma comitiva. Um boi mais arisco escorrega no asfalto (cena inusitada) e após algumas curvas surge Araçuaí (O polo do vale segundo José Márcio). Já era tarde e muita gente voltava para casa após o dia de trabalho. Mais uma parada em um posto e abastecimento com gasolina. Também não havia álcool!
As luzes já começaram a ascender e o sol despedia-se. À esquerda o Jequitinhonha nos acompanhava como quem quisesse ensinar o caminho. Nestas horas o cansaço estava nítido. Meu rosto brilhava como pele de frango assado e o que se ouvia era apenas o som do vento no vidro da janela misturado com o motor do carro. Foi quando me lembrei que na noite anterior havia feito compromisso com meu amigo Zé Manél, que está lá nos “states”, de conhecer seu tio em sua terra (Taquaral). Era para procurar o boteco do Vicente no lugarejo, mas quando passamos por lá já era noitinha e resolvi deixar para a volta (passaria durante o dia) e seguimos em frente.
Veio Itinga e Pasmado com venda de cerâmicas na beira da estrada, retratando figuras e seres do vale. E ao aproximarmos da BR 116 avistamos, à esquerda, as luzes Itaobim (do contador de casos Tadeu Martins).
Percebemos o significado geográfico de vale. Na estrada já não havia subidas ou descidas, apenas suaves curvas para direita para esquerda, o rio do lado, paredões de rocha dos dois lados e o carro (valente) seguia na mesma toada.
Um pequeno incidente: ao coçar os olhos cansados, levei para eles a mistura de suor e protetor solar. A ardência foi tamanha que me cegou por um instante e tive que parar. Resolvido o problema, foi questão de uns 40 minutos para chegar ao destino: Jequitinhonha. Ao contrário das cidades anteriores está em topografia plana. A igreja possui uma torre exuberante que se avista de qualquer ponto da cidade, muitos casarões antigos e bem conservados (não é de estilo barroco) e aos fundos o rio Jequitinhonha com seu leito rochoso formando algumas ilhotas. O hotel fica de frente pro rio e a paisagem é lindíssima.
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