A cidade completará em 2011, 200 anos. Nota-se nas pessoas uma certa ansiedade pela chegada da festa que ocorrerá em setembro. É o que se comenta na cidade.
As pessoas, com seu sotaque meio abaianado, não têm pressa de nada. Seus casos são contados minuciosamente, com mais detalhes que um filme, e até os tristes são engraçados.
O melhor bar da cidade é o do hotel (Bela Vista): cerveja gelada, tira-gosto, e ainda serve almoço e jantar. A música ambiente é o que mais me agradou (depois da cerveja); somente artistas do vale e em um volume que permite ouvir e conversar. Pedi o garçom para gravar um CD que estava tocando (VIOLA URBANA). É uma releitura de canções populares, feita no maior bom gosto. Dentre as músicas eu destaco BICHO DE SETE CABEÇAS e TELHA NUA (http://som13.com.br/viola-urbana/telha-nua-flor-dagua).
O mercado municipal fica mais ao centro na mesma rua do hotel. Trata-se de um galpão com lojas nas laterais internas e ao centro. São vários açougues com carnes expostas sem refrigeração (algumas salgadas) e outras barracas onde se vende farinha, fumo, pimenta do reino em grãos, vassouras feitas da haste do cacho de arroz, bucha vegetal, café torrado (em grãos e moído) e muito mais.
Aos sábados acontece uma feira em frente ao mercado. O lugar fervilha de gente e mistura rico, pobre, claro, escuro, menino, homem, mulher e até bicho com gente. Observei a maior concentração de jegue por metro quadrado; por todo lado tem um, arreado ou à paizana, apeado em uma árvore ou poste e até mesmo soltos pelas ruas.
Existe entre os feirantes, uma relação muito interessante que é a troca de mercadorias (escambo da idade média). Presenciei um senhor trocando fumo por farinha e não foi um caso isolado! Eu perguntei e me disseram que é muito comum. As pessoas trocam o que produzem por outras mercadorias sem o intermédio do dinheiro ou de atravessadores. Assim é o mundo sem o capitalismo! Nós pelo contrário, produzimos dinheiro com nossa força de trabalho e o trocamos por produtos.
Muitos dos expositores (feirantes) vêm de outras comunidades. Por falar nisso, a cidade fica na margem direita do rio e várias comunidades ficam na outra margem. A travessia das pessoas e veículos é feita por balsa, neste local (porto da balsa) alguns homens retiram areia do rio e transportam em canoas até a margem.
Em frente à entrada de Jequitinhonha, no trevo, está o acesso à Joaíma, na entrada da cidade existe uma ponte sobre o rio Anta Podre. A visita foi muito rápida, mas a cidade deixou uma ótima impressão. Ela está no topo de uma colina, preenchendo-a como se fosse aquele chapeuzinho que o Papa usa quando não está em serviço. É uma cidade muito bonita, com uma praça grande bem arborizada.
No vale, a figura mais estranha que encontramos foi quando estávamos almoçando em um restaurante de posto de combustível. Em determinado momento, encostaram dois ônibus de prefeituras (desses doados pelo governo do estado) e o restaurante ficou com quase todas as mesas ocupadas. Eram pessoas muito simples, provavelmente saíram de suas cidades para se consultarem em outra cidade com mais recurso (coisa comum). Na mesa em frente assentou-se uma senhora usando os cabelos amarrados formando um coque, uma camisa branca amarelada de poeira, saia azul até os pés e tênis vermelho. Achei estranho, pois ela não pediu nem tão pouco consumiu nada. De repente, surgiu uma música triste (dessas instrumentais que rodam em filmes de bang bang) que não dava pra saber de onde vinha; olhei para a televisão não era. Pensei ser algum carro e olhei para fora mas não achei. A música continuava. Andréa olhou para mim e perguntou de onde vinha o som. Olhei à volta mais uma vez e percebi que era a senhora da mesa em frente que assobiava com uma técnica incrível, sem fazer bico ou mover os lábios (tipo ventríloquo). Quando ela percebeu, seus olhos me fitaram de um jeito estranho! Andréa me perguntou mais uma vez e eu dei de pestana de olho a resposta. Terminamos de almoçar, paguei a conta e fomos para o carro sem dizer nada um pro outro, ao entrarmos no veículo soltamos a gargalhada (não da senhora, mas da situação) e quando falei dos olhos dela para mim, Andréa me mandou fazer o sinal da cruz (fiz três vezes por garantia!).
No vale, a figura mais estranha que encontramos foi quando estávamos almoçando em um restaurante de posto de combustível. Em determinado momento, encostaram dois ônibus de prefeituras (desses doados pelo governo do estado) e o restaurante ficou com quase todas as mesas ocupadas. Eram pessoas muito simples, provavelmente saíram de suas cidades para se consultarem em outra cidade com mais recurso (coisa comum). Na mesa em frente assentou-se uma senhora usando os cabelos amarrados formando um coque, uma camisa branca amarelada de poeira, saia azul até os pés e tênis vermelho. Achei estranho, pois ela não pediu nem tão pouco consumiu nada. De repente, surgiu uma música triste (dessas instrumentais que rodam em filmes de bang bang) que não dava pra saber de onde vinha; olhei para a televisão não era. Pensei ser algum carro e olhei para fora mas não achei. A música continuava. Andréa olhou para mim e perguntou de onde vinha o som. Olhei à volta mais uma vez e percebi que era a senhora da mesa em frente que assobiava com uma técnica incrível, sem fazer bico ou mover os lábios (tipo ventríloquo). Quando ela percebeu, seus olhos me fitaram de um jeito estranho! Andréa me perguntou mais uma vez e eu dei de pestana de olho a resposta. Terminamos de almoçar, paguei a conta e fomos para o carro sem dizer nada um pro outro, ao entrarmos no veículo soltamos a gargalhada (não da senhora, mas da situação) e quando falei dos olhos dela para mim, Andréa me mandou fazer o sinal da cruz (fiz três vezes por garantia!).
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