sábado, 11 de junho de 2011

Rumo à Salinas

Na manhã de segunda acordamos, tomamos café, encerramos a conta no hotel, guardamos as bagagens no carro e rumamos para Salinas, a terra da cachaça. O dia amanhecera nublado, a temperatura caído bastante em relação ao dia anterior, as montanhas do lado esquerdo do rio estavam cobertas pelas nuvens. Na cidade o comércio começava a abrir as portas, crianças seguiam para a escola e algumas pessoas caminhavam talvez para o trabalho. Despedimos de Jequitinhonha, na saída da cidade duas mulheres e cinco crianças (duas de colo) caminhavam na beira da estrada numa tristeza desoladora.

O dia foi se abrindo e o sol se mostrando. No rádio o cd que havíamos gravado (Viola Urbana) embalava nossa viagem e tocava Bicho de Sete Cabeças. O rio, agora a nossa direita,  refletia, em alguns pontos, a luz do sol e suas águas tomavam um tom dourado. 
Para Salinas havia duas opções de trajeto a seguir. Poderíamos seguir até Araçuaí e de la Coronel Murta, Rubelita e Salinas. Ou então, subir a rodovia BR 116 partindo de Itaobim, passando por Medina até o entroncamento com a rodovia BR 251 próximo à divisa entre os estados de Minas e Bahia e nesta até Salinas. Decidimos pela segunda opção, atravessamos a ponte sobre o Jequitinhonha com 333 metros de comprimento e chegamos à cidade de Itaobim. No canteiro central, no trevo de acesso à cidade, uma placa dizendo “Itaobim a terra da manga” e a escultura gigante da fruta. A rodovia divide a cidade em duas, sendo que do lado direito está o centro político e comercial da cidade. 

À medida que afastávamos de Itaobim, tínhamos a nítida impressão que escalávamos a encosta do vale. A rodovia a princípio buscou caminho por entre as montanhas e depois teve que subi-las. Nestas alturas, o rosa de alguns Ipês floridos contrastava com o verde pálido da região.

A diante e à esquerda da rodovia surgia Medina. Algumas casinhas simples e o cemitério na encosta do morro. No carro o cheiro do cajá exalava à medida em que a temperatura aumentava. Mais a frente vendedores na beira da estrada com frutas, mel e queijos tipo cabacinha vendidos aos pares (O queijo cabacinha é originário da Itália onde recebe o nome de “Caccio Cavallo” traduzindo seria “Saco de Cavalo”). Paramos e compramos o queijo (mais tarde comeria, sozinho, um deles).

Ao atingirmos a rodovia BR 251 Andréa tomou a direção e daí em diante percebemos que a estrada cruzava um planalto e ao longe víamos o traçado da estrada e suas curvas a diante. Neste ponto a vegetação é de cerrado, o clima é mais ameno e de ambos os lados da rodovia se observa grandes pastagens e florestas de eucaliptos. A estrada, bem conservada, possui um movimento intenso de caminhões e carretas. É uma das principais ligações de Goiás e Triângulo Mineiro ao sul da Bahia.

Para trás ficaram Cachoeira de Pageú e Curral de Dentro, Salinas estava à frente quando repentinamente começamos a descer e a sensação de novamente adentrar no vale. Nestas alturas o calor era intenso e por falar nisso, o calor que conhecemos não se compara com este. Aqui além de quente é abafado e o calor corporal não se dissipa, promovendo um grande mal estar. Meu amigo Zé Manel, nativo do vale, se alto intitula como resultado da seleção natural, hoje vejo que ele tem razão. “Nêgo criado com leite em pó, filho de mulher da cidade” não sobrevive a isso!

Nos dois lados, à beira da rodovia, placas de propaganda de cachaça anunciavam a chegada de Salinas.

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