domingo, 2 de outubro de 2011

CIDADE DO CORAÇÃO

Os relatos que seguem, não tem a ver com as viagens dos últimos dias, são apenas lembranças de um lugar muito especial.

A cidade de Cordisburgo, é um dos lugares mais apaixonantes por onde já estive, tanto pelas belezas naturais quanto pela maneira amistosa e amável com que seu povo nos recebe. Cordisburgo consegue manter sua identidade cultural bastante preservada, e estar lá, é como uma vigem ao passado.

Na entrada da cidade, um enorme portal faz a saudação aos visitantes. Na avenida principal, um extenso canteiro central segue até a capela de São José. Lembro-me que, na época da construção do canteiro, o povo comentava que seria uma enorme churrasqueira que o Padre (Prefeito) estava construindo.

Ainda na avenida principal, do lado direito vemos uma escultura de uma preguiça gigante onde se localiza o receptivo turístico. Ali podemos contratar os serviços de um “Miguilim”, guias turísticos que além de mostrar os principais atrativos da cidade, são especialistas na arte de “contação” de histórias.

Um pouco antes do receptivo, no lado esquerdo da avenida, está sendo construída a casa elefante. A obra é de um artesão da cidade que, após o término da construção, irá morar dentro do elefante. Fez lembrar-me da antiga história do "Mestre Jonas" que morou dentro da baleia.

 A "Gruta de Maquiné" é o principal ponto turístico da cidade. É sem dúvida um monumento natural de beleza única.

Na saída para Santana do Pirapama fica o "Zoológico de Pedra". Trata-se de uma praça com várias esculturas de animais pré-históricos. No passado, em 1834, o naturalista "Dr. Peter Lund", fez importantes descobertas paleontológicas no interior da Gruta de Maquiné, e por isso a cidade explora este tema como atrativo turístico.
Um dos melhores restaurantes da cidade é o de D. Haydée "CHERO’S BAR". O ambiente é totalmente rústico, a comida é ótima e fica em frente à gruta. Nos fundos, temos a visão de uma imensa "bocaina" e a mata fechada repleta de angicos. Certa vez, D. Haydée explicou-me que o motivo do nome do restaurante era em função do apelido de seu falecido marido (CHERO).
 
Melhor que a deliciosa comida, são as histórias contadas por D. Haydée. Em dias de semana e com pouco movimento, se estiver com sorte, ela pode te contar ótimas histórias. As melhores são as da gravação do filme “O Diamante Cor-de-rosa” com Roberto Carlos. A gruta foi utilizada como cenário de parte do filme e no restaurante existem algumas fotos do “Rei Roberto”.

No centro da cidade fica o restaurante “SARAPALHA”. O ambiente retrata uma casa antiga de roça. Nas paredes, trechos de alguns contos de Guimarães Rosa (o mais ilustre filho da terra) fazem a decoração. No fogão à lenha, o frango caipira nos convida a uma viagem no aroma e sabor.

Uma das melhores cervejas que já tomei, foi no "TRAILER DO SASÁ", na companhia do amigo Zé Eugenio e seus casos malucos.

Cordisburgo possui uma linguagem própria. O português, falado por lá, sofre algumas variações. As letras “L” e “R”, em algumas palavras, são substituídas pelo “I”, assim, palavras como ALMOÇO e MARMITA são pronunciadas “AIMOÇO” e “MAIMITA”. Outra peculiaridade interessante na linguagem coloquial Cordisburguense, é a maneira carinhosa com que chamam os amigos de “CAVALO” (TÔ COM SAUDADE DOCÊ CAVALO!).

Na praça “Miguilim”, foi construído o “Portal Grande Sertão”, um monumento em homenagem ao escritor "João Guimarães Rosa". O portal, com sete figuras em bronze e em tamanho natural, retrata o autor de "Sagarana" e seis vaqueiros, a cavalo, acompanhados de um cachorro.

Logo em frente fica a "Cooperativa dos Produtores Rurais", um dos lugares em que eu mais ri e melhor fui recebido na vida! Local cheio de histórias! Ali fiz várias amizades e tive a oportunidade de conhecer grandes figuras. Graças a estas pessoas, Cordisburgo se tornou a cidade do meu coração.

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